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Desconstruindo Amy e Nina

Traduzir a grandiosidade de Nina Simone ou a mostrar um pouco da extrema fragilidade de Amy Winehouse foram alguns dos desafios dos diretores Liz Garbus e Asif Kapadia, que decidiram entrar no universo mais íntimo da personalidade dessas duas mulheres intensas. Os dois documentários, disponíveis no Netflix, são duas possibilidades de ter contato com o lado humano dessas duas cantoras de personalidade forte e talento indiscutível.

Tentar traduzir a essência de pessoas com tamanha imensidão  é um desafio e o olhar dos diretores, por mais imparcial que seja, torna-se parte da construção de uma narrativa, que pode agradar ou não aqueles que conhecem a música e história de vida de Nina e de Amy. Para os fãs, que conhecem o trabalho e a história de vida, assistir aos documentários é como ver um filme sobre o seu livro favorito. Na maioria das vezes acreditamos que muito poderia ser melhor contado e que a história é bem rica.

Deixando as impressões pessoais de lado, tanto What Happened, Miss Simone? quanto “Amy”, impressionam ao mostrar como essas duas mulheres reagiram a pressão de ser um corpo estranho dentro do ambiente do qual jamais se sentiram parte. É incontestável que Nina era uma mulher à frente de seu tempo e que sentiu os dores e a opressão de uma sociedade que despejou sobre ela uma série de preconceitos. Afastada dessa realidade, Amy sentiu a pressão que vem de dentro, de uma sensibilidade que não lhe deu estrutura para aguentar suas vivências pessoais e a exposição excessiva. Muito mais do que do que duas vozes, arranjos e estilos musicais únicos, o trabalho de Nina e Amy expressa a dor da inadequação. Pra quem gosta de documentários e música, fica a dica 😉

Cristina Santos

Cristina Santos

Diretora de Planejamento e Conteúdo na Imageria

Capricorniana clichê, já nasceu fazendo planos. Gosta livros, fotografia, cinema e música. Já plantou uma árvore, está escrevendo um livro e ainda tem dúvidas sobre o filho.

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